Urizun – Círculo de Ex-Bolsistas de Okinawa

Caras(os) amigas(os) leitoras(es)! É com muita satisfação e alegria que anunciamos os 20 anos do Urizun - Círculo de ex-bolsistas de Okinawa no Brasil.

Idealizado pelo Sr. Shinji Yonamine, o Urizun surgiu em 1995, a partir de um pequeno grupo de ex-bolsistas brasileiros, descendentes da ilha, que sentiram a forte necessidade de compartilhar com o mundo suas experiências profissionais e culturais proporcionadas pelos programas de bolsas de estudo e estágio das prefeituras e do governo de Okinawa. Ao longo de seus 20 anos de existência, foram inúmeras as atividades realizadas em prol de um objetivo central: difundir e reforçar a cultura okinawana.

Desde a sua formação, o Urizun tem participado e colaborado em grande parte dos eventos da comunidade uchinanchu do Brasil, além de divulgar e orientar interessados(as) e futuros-bolsistas sobre os programas de bolsas oferecidos pela província de Okinawa. O apoio prestado pelo grupo não se limita apenas ao Brasil, pois, com o advento da internet, também foi possível estabelecer e estreitar laços com grupos de jovens uchinanchus de outras partes do mundo, enriquecendo ainda mais o intercâmbio, o aprendizado e o compartilhamento de informações da cultura okinawana.

Para celebrar o crescimento do Urizun e homenagear pessoas que foram fundamentais em nossa trajetória, realizaremos, no dia 20 de junho de 2015, um jantar comemorativo. Afinal, são duas décadas de muito trabalho e dedicação!

Para isso, estamos confeccionando um livreto que será distribuído no jantar, com a divulgação de nossas(os) patrocinadoras(es) e apoiadoras(es). Nosso convite se volta também àqueles que possam colaborar na realização de nosso jantar. Caso seja de seu interesse, entre em contato conosco pelo seguinte e-mail: urizun.br@gmail.com para conhecer nossos planos de patrocínio e apoio. Se você é ex-bolsista e/ou deseja participar da festa, compre um de nossos convites (detalhes também por e-mail).

Contamos com o apoio e prestígio de todos(as). Desde já, nosso muito obrigado(a)! Como sempre, vamos coletivamente celebrar nossa trajetória e manter juntos(as) a cultura okinawana! Ippe nifee debiru! Kariyushi!!!






Bate-papo com Felipe Shiroma - Presidente do Urizun  

 Assumindo a presidência do Urizunkai -  Círculo de Bolsistas de Okinawa desde o início deste ano, o jovem Felipe Morishigue Shiroma, de 29 anos conta um pouco sobre a experiência que teve quando foi bolsista e agora no comando da ala jovem da comunidade okinawana.

Nissei, filho de Morihiro Shiroma e Yumiko Higuchi Shiroma, Felipe é formado em Engenharia de Controle e Automação e está cursando pós-graduação em MBA de Gestão Empresarial. Atualmente trabalha como Engenheiro de Projetos e é associado ao Centro Cultural Okinawa do Brasil.

Ele foi kenshuusei (bolsista) pela cidade natal de seu pai, Okinawa-shi, no período de outubro de 2005 a março de 2006. Já em 2010 foi bolsista da JICA/LATEC em Tóquio e Kenshuu em Aichi-ken - Treinamento de Tecnologia Avançada para Automóveis entre  abril de 2010 a Fevereiro de 2011.

Utiná Press: Conte um pouco como foi a experiência de ser bolsista em Okinawa.

Felipe Morishigue Shiroma: "Ser pleiteado por uma bolsa é uma grande oportunidade para conhecer a terra a terra natal de nossos pais e avós. Em 2005, em Okinawa estudei no Centro Cultural Hispânico, onde lá estudam outros bolsistas de outros shichoson vindo dos países latinos como Argentina, Bolívia e Peru. Foi o início da amizade com os outros Uchinanchus pelo mundo e que viviam em outros países. Fiquei muito surpreso, pois apesar da distância cada um deles se esforçam para continuar a manter o cultura de Okinawa, trazido pelos pais e avós. No Centro Cultura Hispânico, pude aprender um pouco de nihongo, artes com cerâmica, shodo, sanshin e história e geografia de Okinawa. Após a escola, treinava Matsuri Taiko, Sanshin e Soroban. Com essa bolsa também tive a oportunidade de aperfeiçoar o lado profissional. Fiz um estágio em uma empresa de tecnologia em informática. Além de estudar e fazer estágio também conheci vários lugares turísticos de Okinawa. Visita ao Memorial da Paz, o Castelo de Shuri, Kokusai Dori, o aquário Chuuraumi e entre outros lugares. Não imaginava o quanto as praias são bonitas e lá é muito quente".

UP: Esta foi a primeira vez que foi a Okinawa? Como era a imagem que você tinha de lá e o que era totalmente diferente do que você tinha pensado?

Felipe: "Sim, fui pela primeira vez a Okinawa em 2005, pela bolsa de shichoson de Okinawa-shi. No início não tinha muito interesse com a cultura de Okinawa. Por parte de cultura apenas conhecia o Matsuri Taiko. Durante a minha estadia pude perceber que a minha visão era muito limitada. Procurei conhecer e aproveitar tudo o que era possível aprender, pois não são todos que tiveram a mesma oportunidade de ser pleiteado por esta bolsa".

UP: Há quanto tempo você participa do Urizun-kai?

Felipe: "Antes de ir a Okinawa não conhecia o Urizun-kai. Quando fui no 1º Konshinkai, reencontrei o meu amigo de infância, o Takao, e assim conheci o grupo e desde então comecei a participar nas atividades do Urizun-kai isso foi em 2007".

UP: Como está sendo a experiência de presidi-lo?

Felipe: "É uma grande experiência, pois acho que é o mínimo que podemos fazer por Okinawa, pois é uma das poucas províncias que oferecem bolsas. Mesmo com a crise, Okinawa vem mantendo as bolsas de shichoson e kempi e através da bolsa como resultado devemos contribuir empenhando-se nas atividades para divulgar a cultura de Okinawa. Também está sendo bastante interessante em presidir, pois assim posso trocar ideias com outras pessoas, não só com os jovens, mas com pessoas experientes. Acho muito bonito as pessoas de outras descendências ficarem encantadas com a cultura de Okinawa".

Veja matéria completa no Jornal Utiná Press



Relatos de uma bolsista

Meu nome é Erica Satomi Uehara e sou filha de Koyichi Uehara e Cristina Suemi Uehara. Fui bolsista de Okinawa no ano de 2010 por Nakagusuko – Por parte do meu  avô paterno Seizen Asato cônjuge de Yasuko Asato ).

Por meio deste espaço, foi a maneira que encontrei de poder agradecer a todos que lutam para preservar a cultura de OKINAWA e principalmente para enaltecer o interesse dos jovens em relação a cultura UCHINANCHU.

 Fui para Okinawa pela primeira vez em 2010 como bolsista de Nakagusuku, a qual não tenho palavras para expressar todo o meu agradecimento e sentimentos de felicidade de ter vivido os melhores 3 meses da minha vida.

Só após esta maravilhosa experiência pude entender e sentir com todo o coração o significado de ser UCHINANCHU e principalmente, a importância que minha obachan e ojichan sempre deram em fazer de tudo para que eu sempre estivesse em contato com a cultura de Okinawa.

 Revelo que foi muito difícil eu aceitar ir para OKINAWA. Apenas fui porque minha obachan  e meus pais me pediram muito.

Eu nunca tive interesse algum por coisas relacionada a Uchina. Na minha cabeça, ir para OKINAWA ou até mesmo falar Nihongo era perda de tempo e inútil.

Mas…..me surpreendi muito.

Quando cheguei naquele paraíso e conheci todas aquelas pessoas incrivelmente maravilhosas tudo dentro de mim mudou. Fui muito bem recebida por todos e principalmente pela minha família, que mesmo não os conhecendo antes, o modo como me trataram, com muito amor e carinho, sempre vou levar em minhas lembranças e principalmente em meu coração.

Posso dizer com muita certeza que esse kenshu mudou completamente a minha vida. Além de compreender o espírito Uchina pude abrír minha mente, aprender e crescer.

E hoje tenho muita vontade de estar envolvida em todos os tipos de atividades relacionada a Okinawa, em especial de estudar nihongo, para conseguir manter contato com todas a pessoas que conheci e com a minha família e assim, principalmente, ser a ponte entre Brasil e Okinawa. E, também tenho um sonho de poder conseguir receber kenshuseis de Okinawa aqui no Brasil o mais breve possível.

 Acredito que há muitos jovens, que como eu antes de ir para OKINAWA, muitas vezes não entendem por quê os pais e principalmente obachan e ojichan sempre querem mostrar e falar sobre coisas relacionadas a OKINAWA. Sempre achamos que eles não entendem nada e que são  URUSAI. Mas hoje, graças a esta oportunidade de bolsa de estudo a qual tive a sorte em ganhar, e que infelizmente muitos jovens deixam passar, percebo que tudo foi por AMOR Á OKINAWA a qual hoje eu sou apaixonada.

Hoje consigo entender e até mesmo sentir essa tristeza que Obachans e Ojichans sentem quando veêm muitos descendentes de Okinawa não dando importância de ao menos querer conhecer o seu lugar de sua origem.

 Penso também que dizer que uma pessoa é UCHINANCHU pelo sobrenome que carrega pode ser errado, pois em verdade, muitos não sabem o valor de tê-lo. Ser UCHINANCHU é aquele que, com todo amor e todas as forças do coração quer manter a história de Uchina. É chorar por Okinawa.

Assim que, um dos principais fatos gostaria muito comentar é a falta de interesse dos jovens sobre a cultura uchinanchu e especialmente em relação às muitas bolsas de estudos para Okinawa. A qual algumas já não há candidatos e outras correm o risco de acontecerem o mesmo, sendo isso muito preocupante e triste, pois se assim prosseguir, futuramente as bolsas podem ser canceladas.

Caso isso aconteça, acredito que será um sinal de que OKINAWA será esquecido em algum momento talvez não muito distante.

Sem dúvidas há um grande número de pessoas que praticam a cultura uchinanchu como TAIKO, KARATE, ODORI,...mas será suficiente?! Pessoas praticam, mas conseguem sentir o espírito?! E suas famílias “esquecidas” de OKINAWA, que muitos nem sabem que existem?!

 Por conseguinte, quero agradecer a todos que se empenham para manter a chama do espirito uchinanchu acesa, mas, em especial ao Grupo Urizun (Círculo de ex- bolsista de Okinawa)pois são jovens que batalham pela propagação da cultura de Okinawa.

Passei a conhecer melhor e ter mais contato com os membros logo que voltei para o Brasil, e fiquei muito encantada com tudo e todos que estavam envolvidos no grupo, pois são pessoas muito novas que mesmo tão ocupadas e com tantas outras coisas para se preocuparem, sempre fazem de tudo, não apenas para estarem próximas, mas também em transmitir a essência de Okinawa a outros jovens. Sou muito grata por fazer parte da “Família URIZUN” (Acredito que assim é como todos nós nos sentimos quando nos encontramos), que além de me trazerem ótimas lembranças de Okinawa, me fazem crescer cada vez mais a cada encontro. Obrigada meus amigos.

Dedico estas palavras a minha família em especial a minha Obachan – Yasuko Asato”.

 Veja a entrevista completa no Jornal Utiná Press


Participação do Urizun-kai no

 5º Uchinanchu Taikai


Como sempre, Okinawa é um lugar excelente pra se visitar. Mas, dessa vez, houve algo diferente: o início de um movimento jovem em Okinawa. Neste 5º Uchinanchu Taikai, criou-se o Wakamono Jimukyoku (Secretaria de Jovens), e alguns membros do Urizun puderam participar de atividades desenvolvidas por esse grupo.

 

Em 2011, Marcelo Chuei Matsudo (Presidente do Urizun-kai/2011) e Simone Zakabi (Ex-presidente do Urizun-kai/2004) foram indicados pela Associação Okinawa Kenjin do Brasil como “Represen-tantes das Futuras Gerações” (Jisedai Daihyo) e, com suporte da Organização do Uchinanchu Taikai, foram à Okinawa participar deste grande evento. Tetsuo Higa (que já fora Jisedai Daihyo no mesmo Festival em 2006, junto com Satoru Saito), também esteve presente nas atividades desenvolvidas pelo Wakamono Jimukyoku.

 Em uma conferência, com um público incluindo estudantes okinawanos e representantes de diferentes nacio-nalidades (Brasil, Peru, Argentina, Bolívia, Inglaterra e Estados Unidos) apresentaram atividades relacionadas à cultura de Okinawa, desenvolvidas por jo-vens uchinanchus, em seus respectivos países. Em seguida, todos (aproxima-damente 60 pessoas) foram distribuídos em 3 salas para discutir, em cada uma delas, 3 diferentes temas: Uchina-guchi, Uchinanchu Network e Cultura okinawana moderna.

O objetivo era que, de cada tema, saísse uma proposta a ser executada pelo Wakamono Jimukyoku nos próximos anos, em conjunto com os jovens de outros países. Ao final da conferência, essa proposta seria entregue ao Governador de Okinawa (Hirokazu Nakaima). O mais interessante foi que, no tema Uchinanchu Network, um dos grupos, composto apenas por okinawanos, sugeriu que em 2012 fosse realizado o Wakamono Uchinanchu Taikai no Brasil, proposta apoiada pelo Governador okinawano. Ainda não há data, local e atividades definidos, mas o Urizun-kai, sob orientação da AOKB, está em contato com o Wakamono Jimukyoku de Okinawa e, em breve, teremos maiores informações a respeito deste evento no Brasil.
O grupo Urizun também esteve presente no desfile do dia 12 de outubro na Kokusai Dori, em  Naha. Aproximadamente 25 membros do Urizun-kai, junto com centenas de brasileiros, representando a Associação Okinawa Kenjin do Brasil, contagiaram as pessoas de lá com sua alegria.

Por fim, em nome do Urizun-kai, Chuei, Simone e Tetsuo também puderam encontrar representantes do Governo de Okinawa, incluindo o Vice-governador, Yoshiyuki Uehara, e o presidente da Câmara dos Deputados, Zenshin Takamine, que enfatizaram a importância da manutenção das bolsas kenpi (financiadas pelo governo de Okinawa) para a continuidade do network e da preservação da cultura de Okinawa.

Acreditamos que o uchinanchu network tem potencial de crescer cada vez mais, envolvendo, principalmente, os jovens de Okinawa. Percebemos que eles ficam impressionados com o fato de haver tantos descendentes de uchinanchus no Brasil que se sentem “uchinanchus” e se preocupam em preservar a cultura de Okinawa, mesmo estando do outro lado do planeta. Isso cria uma grande responsabilidade sobre os jovens uchinanchus no Brasil, mas é mais um motivo de orgulho para nós.

Bolsistas e ex-bolsistas se reuniram durante o 5º Sekai no Uchinanchu Taikai, representando as novas gerações de okinawanos do Brasil.

Alguns já haviam participado das edições anteriores e outros participavam pela primeira vez. Foi um momento de rever familiares, amigos e conhecidos, visitar os locais onde estudaram e principalmente, fortalecer ainda mais os vínculos com a província-mãe.

Encontros, reuniões e ocasiões festivas não faltaram para este grupo, cujo objetivo é divulgar e manter acesa a chama da cultura okinawana no Brasil.


 "Ir a Okinawa foi voltar para um lugar em que eu nunca estive"

Esta talvez seja uma das impressões mais recorrentes dos descendentes okinawanos que pisam na terra natal de seus ancestrais pela primeira vez. A frase acima foi feita por Victor Uehara Kanashiro, um jovem sociólogo de 26 anos que foi a Okinawa como bolsista da Associação Naha Shiminkai  (2009/2010).

Filho de Maçatoci Kanashiro e Keico Uehara Kanashiro, Victor é yonsei (4ª geração) e é sociólogo, doutorando em Ciências Sociais e mestre em Sociologia pela Unicamp, bacharel em Ciências Sociais pela PUC-SP e em Economia pela USP.

Desde 2007 Victor Kanashiro, juntamente com Fausto Uehara,  tem desenvolvido o projeto “Okinawa do Brasil”, um documentário que como objetivo contar a história do imigrante de Okinawa no Brasil, narrada pelos próprios imigrantes e seus descendentes. A partir daí, seu interesse pela cultura de seus ancestrais só aumentou, culminando em sua seleção para a bolsa de três meses na cidade de Naha (Okinawa) entre 2009 a 2010.

Durante a Assembleia do Naha Shiminkai do Brasil, ocorrida em 30 de outubro passado, Victor prestou um depoimento que chamou muito a atenção de nosso amigo e leitor Mário Shinzaki (ex-presidente da Associação Okinawa de Vila Carrão): Foi um depoimento deveras interessante e importante para a nossa comunidade, a oportunidade de vivenciar em Okinawa, e resgatar a cultura e o espírito Uchinanchu. Acredito que a publicação do depoimento do Victor no Utiná Press seria uma oportunidade de contribuir com toda a sociedade, ponderou Shinzaki.
Assim, nesta entrevista exclusiva ao Jornal Utiná Press, Victor Kanashiro compartilha um pouco de suas experiências em Okinawa, analisando algumas questões pouco discutidas no ponto de vista sociológico sobre a comunidade:

Utiná Press: Quando e como você foi selecionado para a bolsa do Naha Shiminkai?

Victor Uehara Kanashiro: Fui selecionado no mês de agosto de 2009 para ser o bolsista 2009/2010 do Naha Shiminkai. Pouco antes disso, conversei muito com meu primo de segundo grau Hitoshi Takara, bolsista 2007/2008 de Naha, que me incentivou muito a tentar a bolsa”.

UP: Existe algum tipo de seleção? Quais são os pré-requisitos básicos?

Victor: O processo seletivo para a bolsa, no caso do nosso Shiminkai, inclui uma entrevista em japonês com membros de uma comissão da associação. Os pré-requisitos são: ser descendente da cidade de Naha, ter algum parente na região, estar associado a um kaikan da comunidade, dominar o idioma japonês, pelo menos em nível básico, e, claro, ter muita vontade de viver uma experiência dessas”.

UP: Como era sua expectativa antes e qual foi a impressão que você teve de Okinawa após a bolsa?

Victor: Sempre considerei a comunidade okinawana muito viva, mas também muito conservadora. Há até hoje questões relacionadas à preservação de tradições, casamento inter-étnico, e controvérsias envolvendo yutás e os rituais do butsudan, que são tabus no seio da comunidade. De alguma forma, antes da bolsa, imaginava Okinawa também como um lugar conservador nesses aspectos. Mas, para ser sincero, chegou a ser difícil explicar para os okinawanos de lá que no Brasil há ainda este tipo de tensão. Em Okinawa estas não são questões relevantes.

Um traço fundamental da cultura okinawana é justamente a mescla e o dinamismo. O que dá a sua particularidade é a mistura e não o purismo. Acho admiráveis os nossos esforços para a preservação da cultura okinawana no Brasil. Mas também acho que isso deva se dar pela abertura e não pelo fechamento”.  
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Possível cancelamento do programa de bolsas de estudo mobiliza jovens
 No final de julho os principais jornais de Okinawa (Okinawa Times e Ryukyu Shimpô) veicularam a notícia sobre o possível cancelamento do programa de  Bolsas  de Estudo – Kempi Ryuugaku, modalidade de bolsa subsidiada pelo governo da província de Okinawa, que recebe e se responsabiliza pelos bolsistas. O principal objetivo é a formação de cidadãos brasileiros que tenham condições de implantar novas raízes no desenvolvimento econômico, tecnológico e cultural do país e, consequentemente o fortalecimento dos laços de amizade entre o Brasil e Okinawa.

A notícia foi recebida com muita apreensão não somente no Brasil, como também em Okinawa, pelos estudantes brasileiros que lá se encontram, como Celso Akihide Shiroma e Lucila Etsuko Gibo.

Aqui no Brasil, os ex-bolsistas foram mobilizados pela presidente do URIZUN – Círculo de Ex-bolsistas de Okinawa, Carina Sue Inafuko, para discutir o assunto.

Ela explicou a situação e também as principais ações que o grupo está tomando para evitar que o cancelamento aconteça: 

No dia 22 de Julho deste ano foi publicado na primeira página dos principais jornais de Okinawa a notícia sobre o resultado da avaliação do Órgão Responsável pela Reforma Administrativa no governo de Okinawa. Dentre os 36 projetos avaliados o único que tem a resposta final como `Desnecessária` é o de Bolsas de Estudos para os descendentes de Okinawa (Kenpi Ryugaku). A modalidade de Kenshu também está sendo reavaliada e a resposta final será divulgada em Novembro.

De 1969 (início do programa de bolsas em Okinawa) até 2003, os recursos para a Bolsa Kenpi Ryugaku eram subsidiados pelo Japão e Okinawa juntos, a partir de 2004 a Prefeitura de Okinawa passou a subsidiar integralmente esta modalidade de bolsa de estudos.

Desde 1970 até 2009, Okinawa Ken recebeu o total de 107 bolsistas brasileiros. Mediante atual situação econômica do Japão e consequentemente a de Okinawa, concordo que será necessário alguns cortes e modificações. Mas entendo que este programa de Bolsas de Estudos, com duração de um ano, e de suma importância para a preservação e divulgação da Cultura de Okinawa no Brasil, além de ser o mais importante vinculo e responsabilidade periódica que o Okinawa Kenjin do Brasil possui diretamente com Okinawa Ken.

Neste último sábado (dia 14 de agosto), realizamos a III Reunião dos Ex-Bolsistas (URIZUN) sobre as atividades em prol da importância das bolsas de estudos (Kenpi Ryugaku e Kenshu Shichoson), onde demos continuidade aos 3 Projetos deste segundo semestre, já em andamento:  

- Exposição Cultural no VIII Okinawa Festival;

- Documento que será enviado a Okinawa, contendo a atuação do Ex-Bolsista na comunidade Nikkei do Brasil, e os questionários dos bolsistas Kenpi;

- Comemoração dos 15 anos do Circulo de Ex-Bolsitas de Okinawa URIZUN. 

 Além destes projetos, estamos estudando uma proposta, onde o próprio estudante custeara uma parte da passagem, ou realizara trabalhos voluntários para a terceira idade, por exemplo. Esta proposta ainda será discutida juntamente com o Kenjinkai.

Os nossos objetivos são: Divulgar a importância das Bolsas de Estudos e Estágios para a preservação da Cultura e Tradições Okinawanas entre os jovens nikkeis, e Agradecer a população de Okinawa e os Imigrantes Brasileiros”.

Por: V.S.T.
Colaboração: Carina Sue Inafuko








Carina Inafuko 
Presidente do URIZUN


 

Bolsista Hugo Ota: “Pisando na terra dos meus ancestrais”

Nesta edição, o ex-bolsista Hugo Hiro Ota relata a experiência que viveu durante o período em que esteve em Okinawa como bolsista pela prefeitura de Yomitan.

Este jovem sansei de 24 anos é o filho mais velho de  Jorge Hiroshi Ota (presidente da Associação Okinawa de Guarulhos) e Tomoko Gibo Ota e cursa o último ano de medicina. Além dele, o casal Ota possui mais dois filhos: Henri Hikaru Ota , 23 anos, médico e Keimy Saori Ota,15 anos, estudante de 2º ano do Ensino médio.

Hugo esteve em Okinawa no período de junho a dezembro de 2008, como kenshuusei do município de Yomitan-son. Aliás, seus avós maternos fizeram parte da Associação Yomitan Sonjin do Brasil desde a sua fundação e desde março deste ano, Hugo é um dos responsáveis pela manutenção do site da entidade: www.yomitan.nw.org.br, que traz muitas informações sobre a associação.

Ele conta que sempre foi criado dentro das tradições okinawanas; “vivi grande parte da minha infância com meus Ojis e Obás que foram grandes responsáveis por manter meu elo com as tradições okinawanas, e como isseis, trouxeram todos costumes de Okinawa para dentro de casa. Era comum ouvir conversas em uchinaguchi entre eles e meus pais, ouvir oji tocar sanshin e comer o satá andagui que obá fazia. Também fui instruído a valorizar e cuidar do butsudan que, alem de fazer parte da cultura, será um símbolo que carregarei já que sou o tyonan . Portanto, devo a eles a base dos conhecimentos que adquiri ...”

Utiná Press: Como ficou sabendo da bolsa de estudos Kenshuu Ryuugaku?

Hugo Hiro Ota: A família do meu pai tem sua origem em Itoman-shi e a família da minha mãe em Yomitan-son. Certo dia, recebi o telefonema de um dos diretores do Yomitan-son kenjin do brasil informando que havia a possibilidade de ser bolsistas no ano de 2008. Visto que era terra de meus ancestrais e havia retornado a pouco tempo de uma viagem para a ilha, não titubeei e afirmei o interesse na vaga”.

UP: Quanto tempo ficou em Yomitan-son e o que achou?

Hugo: “Residi de Junho a dezembro de 2008. No inicio estava receoso, pois o conhecimento que tinha sobre o nihongo era baixo, a única base que tive foram os 3 meses que estudei antes da viagem e sem esse requisito, tudo ficaria complicado, porém, como a bolsa de Yomitan tem inicio antes de outros shi-cho-sons, pude ter aulas de reforço por um período de aproximadamente um mês que foram essenciais para minha evolução com a língua japonesa. Com o tempo, o meio de convivência com os senseis e outros bolsistas acabaram tornando o aprendizado mais fácil e interessante. Hoje, tenho segurança de poder me deslocar sozinho pela ilha. Sou grato aos senseis, amigos bolsistas e tios e primos que sempre deram suporte a mim permitindo criar grande vínculo com Okinawa.”

UP: Como foi este estágio?

 Hugo: “Dentro dos 5 meses que a bolsa durou, estudei a grade que era comum aos bolsistas (nihongo, sakubun, sanshin, shodou e yatimun). Como atividades extra-curriculares, aprendi a tocar o Eisá, chegando a fazer as costumeiras apresentações pelas ruas de Okinawa na época do Obon (shichii-guwachi). A acupuntura também era um dos meus interesses visto que, fazendo parte da medicina, esta se diferencia da medicina ocidental que e aplicada nas escolas medicas brasileiras por ter seus conceitos e filosofias distintas e nada melhor que um país oriental para estudá-la. Acompanhei uma clinica por 2 meses”.

UP: Você ainda tem contato com as pessoas que conheceu neste período em Okinawa?

 Hugo: “Sim. Apesar de baixa frequência, mantenho contato por e-mails mas constantemente encontro-os nos eventos da comunidade. Considero importante esse relacionamento e acho que faz parte do aprendizado da bolsa. Voltamos para o Brasil com a missão de ajudar a disseminar todo conhecimento adquirido durante nossa estadia na ilha e para que possamos ter maior influência, a formação de um grupo facilita o processo. O Urizun, grupo de bolsistas e ex-bolsistas, é exemplo disso.”

UP:  Esta foi a primeira vez que você foi a Okinawa?

Hugo: “Não. Durante as férias de julho de 2007 fui a Okinawa acompanhado da minha mãe e obá para presenciar o casamento do meu primo, na ocasião, fiquei por um mês na ilha e pude conhecer a maior parte dos pontos turísticos de Okinawa: Chura Umi, o segundo maior aquário do mundo; castelo de Shuri; as belas praias onde é possível nadar ao lado de peixes; Memorial da Paz em Itoman; Kokusai Doori no centro de Naha; jardim imperial de Shikinaen, também em Naha; Parque do Abacaxi, em Nago, etc. Foi essa, a primeira viagem a Uchina, que me despertou a possibilidade de voltar posteriormente. Por sorte, um ano depois estava pisando novamente na terra de meus ancestrais.”

UP: O que ela agregou em sua vida pessoal / profissional?

 Hugo: Com uma viagem ao exterior, independente do destino, notei a importância de ter conhecimento de outras línguas como a inglesa e japonesa, devido às suas difusões pelo mundo, facilitando e muito a comunicação. De um outro ponto de vista, imagino a dificuldade que sentem os nikkeys, residentes no Brasil e pouco sabem da língua portuguesa, ao se comunicar. E foi pensando dessa forma que encontrei uma razão a mais para estudar o nihongo, oferecendo assim, assistência medica adequada aos nipônicos . O Brasil é a maior comunidade japonesa no mundo fora do Japão”.

 Veja matéria completa no Jornal Utiná Press


4º Konshinkai do URIZUN

























No dia 30 de maio foi realizado o 4º Konshinkai do URIZUN – Círculo de ex-bolsistas e Jovens da província de Okinawa, na AOKB.

O encontro tem como objetivo esclarecer dúvidas sobre as modalidades de bolsas de estudos oferecidas pelo Governo de Okinawa, bem como das prefeituras dos municípios e distritos okinawanos e outras entidades governamentais. Além de promover a integração e a troca de experiências entre os veteranos e futuros bolsistas, trazendo importantes dicas e informações sobre a história, a geografia, a culinária e curiosidades de Okinawa.

Enquanto muitas províncias japonesas estão cancelando o programa de bolsas de estudos oferecidos aos descendentes que moram em países do exterior, Okinawa é uma das poucas a oferecer bolsas de estudo a nível municipal pelos shichoson (municípios e distritos), além da bolsa oferecida pelo próprio governo. Cada município promove um tipo de estágio técnico, cuja duração varia de três a seis meses.

Contando com a presença de mais de trinta pessoas, o encontro reuniu ex-bolsistas, futuros bolsistas e pessoas interessadas em obter maiores informações a respeito das bolsas de estudo.

A presidente do URIZUN, Carina Inafuko, abriu o encontro fazendo o tradicional Jikoshôkai (auto-apresentação), que é um costume ao qual os futuros bolsistas precisam estar habituados, uma vez que terão que  fazer bastante em Okinawa.

Após todos os presentes fazerem sua auto-apresentação, foram explanados os principais tipos de bolsas de estudos por Aurora Nakachi. O vice-presidente da AOKB, Shinji Yonamine também explanou sobre uma bolsa oferecida pela WUB (Worldwide Uchinanchu Business Association).

Em seguida, Eduardo Tetsuo Higa falou um pouco sobre Okinawa (história, geografia, dados, curiosidades, etc) a fim de esclarecer várias dúvidas dos presentes.

Um dos pontos importantes tratados foi a importância da manutenção destes programas de bolsas de estudos, cujos objetivos é transmitir para as futuras gerações a cultura de Okinawa, terra de nossos antepassados, além de fortalecer os laços de amizade entre o Brasil e o Japão.

Veja matéria  completa no Jornal Utiná Press 



Bolsistas Aurora Kyoko Nakati e Karina Kaori Shinzato: Conhecendo a terra dos antepassados

Como citado na matéria anterior (Konshinkai 2010), vários municípios e distritos okinawanos oferecem bolsas de estudos a seus descendentes no exterior. Dentre eles está a cidade de Motobu (localizada na região norte de Okinawa). Uma das peculiaridades desta bolsa é que ela é concedida em sistema de rodízio entre três países da América Latina (Brasil, Peru e Argentina), fazendo com que cada país envie seu representante a cada três anos.

No ano de 2009 as bolsistas brasileiras (Aurora Kyoko Nakati e Karina Kaori Shinzato) tiveram a oportunidade de fazer o estágio técnico em Okinawa pela prefeitura de Motobu-cho. Em entrevista ao Jornal Utiná Press elas contam como foi a experiência:

Utiná Press: Falem um pouco sobre vocês.

Aurora Kyoko Nakati: Meu nome é Aurora Kyoko Nakati, tenho 32 anos e sou sansei. Sou filha de Mário Nakati, (professor de Karatê-Dô e Massoterapeuta) e Albertina Gushiken Nakati (comerciante). Tenho um irmão mais novo, Luís Carlos Itiro Nakati, 31 anos (professor de Karatê-Dô). Meus avôs são de Motobu-chô (Saki-Motobu e Shiokawa) e avós de Nago-shi. Me formo em Estatística este semestre no IME-USP(Instituto de Matemática e Estatística da USP), minha família é associada ao Santa Clara Shibu. Pratico Okinawa Shorin-Ryu Karatê-Dô, Okinawa Matayoshi Kobudô, faço parte do Ryukyu Koku Matsuri Daiko e do Urizun.

Morei durante 5 anos e meio no Japão como dekasegui com a minha família e foi nesse período que aprendi a língua japonesa, até então não sabia a diferença entre arigatou e gomennasai. Antes de retornarmos ao Brasil fomos visitar Okinawa. Neste período ficamos 3 meses viajando por Okinawa e tive a oportunidade de conhecer meus parentes e vários lugares, além da ilha principal fomos para Miyako e Yayema. Apesar de praticar Karatê e ouvir as músicas de Okinawa desde pequena eu não conhecia muito sobre a cultura okinawana, mas ao retornar ao Brasil comecei a frequentar novamente o kaikan de Santa Clara, onde juntamente com outros jovens reativamos o seinenkai. Fizemos muito intercâmbios com outros seinenkais e participamos de várias atividades da colônia japonesa como o Interkaikans Beneficente e Tanabata Matsuri, além dos eventos próprios para ajudar nas reformas do kaikan e maior integração do seinenkai. Neste mesmo período meu pai abriu a academia de Karatê-Dô. Voltamos a treinar o Kobudô, mas de uma linhagem diferente, Matayoshi Kobudô, e começamos a fazer apresentações de Karatê-Dô e Kobudô juntamente com outras academias nos stands culturais do Urizun em eventos japoneses. Foi com os contatos obtidos nesses eventos que acabei entrando no Urizun e no Matsuri Daiko, em 2005. Desde então o meu interesse pela cultura de Okinawa só aumentou. Além do Karatê-Dô, Kobudô e taiko, já tive a oportunidade de fazer apresentações de odori, bunomai e participar da cerimônia do Buku-buku cha.

Okinawa é uma ilha pequena, mas com uma riqueza cultural gigantesca. E ser descendente de Okinawa é um orgulho para mim”.

Karina Kaori Shinzato: “Sou Karina Kaori Shinzato, tenho 26 anos. Meus pais são Tetsuo Shinzato e Hitomi Oshiro Shinzato. Os dois nasceram em Okinawa, portanto sou nisei. Meu pai nasceu em Sashiki (atual Nanjo-shi) e minha mãe nasceu em Motobu. Sou formada em Naturologia Aplicada e antes de ir para o Nihon (Japão) estava trabalhando na área em uma clínica, na parte de coordenação e atendimento. Depois desta viagem refleti muito e decidi não voltar a fazer o que não estava feliz ... Vou começar outra faculdade e fazer pós graduação junto,na área de pedagogia e psicopedagogia.  Sou associada ao Hombu na Liberdade”.

UP:  Quanto tempo durou a bolsa de estudos?

Aurora:A bolsa foi de 5 meses. Fui bolsista por Motobu-chô, mas passamos a estadia em Nago-shi no alojamento da Meio Daigaku (Universidade de Meio – Nago), onde estudamos Japonês, Inglês e Okinawa no Gengo. Duas vezes por semana ia para Motobu para ter aulas de sanshin no Centro Cultural do Motobu Genki Mura, tínhamos uma reunião semanal com os nossos responsáveis e participávamos de todos os eventos da cidade. Uma vez por semana tinha treino de Karatê e taiko e uma vez por mês ia aos treinos de taiko em Nakagusuku. Além das aulas tive a oportunidade de aprender Teodori no grupo de Eisá da faculdade e fizemos várias apresentações de salsa, com orientação de um bolsista peruano”.

UP: Como ficaram sabendo da bolsa?  Existe algum tipo de seleção? Falem um pouco a respeito.

Aurora: “Sabia da existência das bolsas de kenpi e shichoson por participar do Urizun, mas não conhecia ninguém das cidades dos meus avôs, mas em 2006 soube que uma amiga do taikô, Juliana Kagohara, estava indo como bolsista de Motobu-chô. Após o seu retorno conversei bastante com ela e seus pais, pois estava muito interessada em ir também. A bolsa de Motobu-chô faz um rodízio entre Brasil, Peru e Argentina, por isso a próxima bolsa só viria em 2009 para o Brasil. No início de 2008 entrei em contato com o presidente do Motobu chojinkai do Brasil, Uema san falando do meu interesse pela bolsa, como era o ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil com as comemorações vieram várias autoridades de Okinawa, inclusive o prefeito de Motobu-chô, Fumio Takara. Na ocasião houve um jantar do chojinkai e me apresentaram ao prefeito e falaram também que eu estava pleiteando a bolsa para o ano seguinte. No nosso caso como haviam 2 vagas e 2 candidatas, não houve seleção, mas é necessário ter no mínimo o 3kyuu do nouryoku shiken (nível 3 do Exame de proficiência em Língua Japonesa). Até onde tenho conhecimento é o único shichoson que pede nível de proficiência em japonês, além do kenpi, mas como ficamos alojadas e estudando nihongo na Meio Daigaku é necessário um conhecimento mínimo para a convivência no campus”.

Karina:Fiquei interessada em prestar bolsas desde que me formei, procurei pela jica, mext, e fiquei sabendo pelos meus pais que havia por província também, um ano antes desta bolsa que foi por Motobu havia conseguido por Nanjo-shi, mas não consegui ir. A seleção é feita pelo responsável de cada província. É ele quem seleciona quem vai, também tem uma questão importante é se você tem parente por lá. Quanto ao nível de nihongo também tem que ter sankyuu. Mas um conselho que eu dou:, eu tinha sankyu mas como não há teste de conversação, eu não conseguia falar , apenas escrever, por isso tive muita dificuldades. Foi muito bom para poder começar a  falar, mas acho que é muito mais proveitoso quem já fala um pouco mais”.

Veja matéria completa no Jornal Utiná Press




Bolsista de Ginoza-son passa três meses em Okinawa

Há 24 anos consecutivos a prefeitura da cidade de Ginoza (Okinawa) recebe descendentes de ginozanchus (pessoas nascidas em Ginoza-son) para um estágio de três meses.

Além disso, há quatro anos, a prefeitura da cidade iniciou um programa de intercâmbio com estudantes de lá que vem ao Brasil, Peru e Argentina para aprender um pouco mais sobre os aspectos culturais destes países, além de conhecer o cotidiano dos descendentes de Ginoza além-mar.

No ano passado o escolhido para fazer o intercâmbio foi o jovem Flavio Yukio Kushi. Em entrevista concedida ao Jornal Utiná Press, ele relata como foi este experiência.

Utiná Press: Fale um pouco sobre você.

Flávio Yukio Kushi: “Meu nome é Flavio Yukio Kushi, tenho 28 anos, sou o segundo filho de Osamu Kushi e Luzia Tomiko Kushi, tenho dois irmãos Roberto e Marcelo, sou nissei, meu pai nasceu em Ginoza-son, vila que se localiza  no centro da ilha de Okinawa-ken. Atualmente estou terminando (7º semestre) o curso de Administração na PUC de Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), sou comerciante, moro em Campinas, faço parte da Associação Okinawa Kenjin de Campinas, onde atualmente ocupo o cargo de 1º secretário da diretoria executiva”.

UP: Quando você foi bolsista de Ginoza son?
Flávio: No ano passado (2009) fui o 24º brasileiro a ser bolsista (kenshusei) de Ginoza-son, sendo que a bolsa durou 3 meses, de agosto à outubro”.

UP: Como ficou sabendo dela? Existe algum tipo de seleção? Fale um pouco a respeito.

Flávio: Morei durante 4,5 anos no Japão, trabalhando como dekassegi e voltei ao Brasil em março do ano passado (2009). Logo que voltei, meu tio Isao Kushi, atual presidente da Ginoza-son Sonjikai, me perguntou se eu queria fazer inscrição para a bolsista de Ginoza. Como era a primeira vez que ouvir falar dessa bolsa (kenshuu) de estudo, passei uns 2 dias pensando a respeito antes de dizer que SIM.  Para minha sorte 2 meses depois fiquei sabendo que eu fui o único candidato inscrito, assim tive a sorte de não precisar fazer uma entrevista para seleção”.

UP: Você já esteve outras vezes em Okinawa. O que sentiu pela primeira vez que esteve lá?

Flávio: A primeira vez que fui para Okinawa foi em 2001, com alguns amigos também descentes de Okinawa, como era verão logo que desci do avião, senti aquele mormaço da ilha, típico de praia. Não sei dizer bem, mas logo venho uma euforia, não queria nem ir primeiro para o hotel, queria sair eu conhecer tudo de Okinawa naquela mesma hora. Pra mim, foi a realização de um sonho, estar no lugar onde meu pai e meus avôs nasceram, um lugar tão distante do Brasil que me impressionou com o clima bem descontraído que se via nos rostos da pessoas e com suas lindas praias”.

UP: E em relação à bolsa, quais eram suas expectativas e quais foram as suas impressões durante este período?

Flávio:  Quando fui fazer a bolsa, queria aprender mais nihongo, conhecer mais sobre a cultura e tradições de Okinawa (festas, danças, musicas, história) e também conhecer os parentes do meu pai. Durante os 3 meses as coisas foram acontecendo tão rápido e naturalmente que, no final da bolsa, estava muito feliz de ter conseguido tudo”. 

Veja matéria completa no Jornal Utiná Press de Abril


Patrícia Kano embarca como kenpiryuugakusei para Okinawa

Para comemorar a ida da jovem Patricia Tiemi Kano a Okinawa como bolsista da província (Kempiryuugaku), a diretoria da Associação Okinawa de Vila Alpina promoveu um jantar de despedida no último dia 30 de março.

Segundo o presidente da subsede, Koyu Tamashiro, “a confirmação da ida da Patricia a Okinawa foi muito rápida e não deu tempo para avisarmos todos os associados; então reunimos a diretoria e os familiares para comemorarmos a sua ida”, explicou ele.

A jovem sansei de 23 anos é a segunda filha de Shinji Kano e Marina Mieko Kina Kano. Sua origem materna é da cidade de Kumejima.

Patricia é formada em Administração de Empresas e embarcou no dia 7 de abril para Okinawa, juntamente com a jovem Karine Kaory Nakasone, de Santo André, para o estágio de um ano na província-mãe.

Ela estudará na Faculdade de Belas Artes de Okinawa, onde poderá aperfeiçoar a arte do odori, que pratica há 12 anos, com a professora Chieko Chibana.

 Pode-se dizer que Patrícia, além de muito inteligente também é uma pessoa de sorte, pois ficou sabendo sobre as inscrições na véspera da seleção e no último dia do prazo conseguiu não só inscrever-se como também passar em primeiro lugar na seletiva.

Ela conta que a seleção foi tranquila, mas a expectativa é muito grande, pois esta é a primeira vez que vai a Okinawa.

O presidente do shibu Vila Alpina agradeceu a presença de todos e parabenizou a jovem pelo feito, desejando-lhe muito sucesso durante sua estada em Okinawa: “Acreditamos que assim que retornar, você vai colaborar muito com nosso shibu”, acrescentou Tamashiro.
Veja matéria completa no Jornal Utiná Press de Abril


Jovens brasileiros participam do Niseta Tour 2010, na Argentina

Entre os dias 13 a 23 de janeiro, três jovens do Brasil viajaram à Argentina para participar de um programa de intercâmbio cultural de jovens entre 15 a 18 anos de idade, chamado Niseta Tour, cujo objeivo é estabelecer laços de amizade com os jovens descendentes de Okinawa de outros países, fortalecendo o espírito de união, identidade e cooperação entre os participantes, bem como promover a cultura de Okinawa e a formação de futuros dirigentes.

Esta é a terceira vez que o encontro de jovens okinawanos de vários países é realizado no país, sendoque várias atividades realizadas eram ligadas à cultura de Okinawa e da Argentina, como o karatê, eisá, odori, palestras e tango.

Os participantes: Gustavo Manabu Nakasone, Marina Miyasato e Daniela Setsuko Higa, respectivamente das subsedes do Centro - SP, Santo André - SP e de Brasília - DF, acompanhados pelo vice Presidente Chuken Matsudo que teve a incumbência de verificar a possibilidade de este evento ser realizado no Brasil em 2011.

Confira abaixo como foi a experiência de participar deste evento:

Utiná Press: Falem um pouco sobre vocês.

Marina Miyasato: "Meu nome é Marina Miyasato, tenho 17 anos, meus pais são: Norimichi Miyasato Ota e Luci Miyasato. Sou sansei e o meu local de origem é Nago-shi - Okinawa. Tenho o segundo grau completo e atualmente faço cursinho pré-vestibular. Sou associada ao kaikan de Santo André".

Gustavo Manabu Nakasone: "Sou Gustavo Manabu Nakasone e tenho 18 anos. Meus pais são: Masaru Nakasone e Rosana Célia Nakasato Nakasone e tenho uma irmã, chamada Karine Sati Nakasone; sou nissei e minha origem é de Okinawa Shi. Sou associado ao Hombu (Matriz da Associação Okinawa Kenjin do Brasil) e tenho Ensino Médio completo".

Daniella Setsuko Higa: "Me chamo Daniella Setsuko Higa, nasci em Toyohashi (Japão), meus pais se chamam Antonio Shoei Higa e Miriam Ayako Yamada Higa; tenho 2 irmãos mais novos, Rodrigo Hideyuki Higa de 15 anos e Juliana Yukari Higa de 12 anos. Minha geração é sansei, meu avô, Masatetsu Higa é de Nago. Tenho o nível superior incompleto - estou cursando psicologia no momento. Somos associados à Associação Okinawa Kenjin de Brasilia".

UP: Como ficaram sabendo do programa de intercâmbio "Niseta Tour"?

Marina:"Eu fiquei sabendo do Niiseeta Tour 2010 através do meu Oji, que é associado do Okinawa Kenjin do Brasil".

Gustavo Manabu Nakasone: "No ano anterior de 2009, eu havia participado do programa de intercâmbio de nome Junior Study Tour em que me fez valorizar mais a nossa cultura de Okinawa e assim através da divulgação dos organizadores e diretores do Hombu, pude ficar a par da realização do Niseta Tour neste ano de 2010. Felizmente fui aprovado na seleção e pude mais uma vez aprender e criar novos valores de vida em outro país, conhecendo e convivendo com jovens entre a faixa etária de 15 à 18 anos de idade".

Daniella Setsuko Higa: "Fiquei sabendo através da AOKB".

UP: Como foi a inscrição e a seleção?

Marina: "Eu fiz a inscrição para o Niseta na Associação Okinawa Kenjin do Brasil, a seleção foi por uma entrevista, foram entrevistadas sete pessoas, das quais foram escolhidas três para representarem o Brasil. E para minha felicidade eu fui uma selecionada".

Gustavo: "Foi super tranquilo. Basta responder algumas perguntas e ser você mesmo. Acredito que o que me ajudou foi ter um pouco de conhecimento sobre o japonês, inglês e espanhol e por eu ter mantido a tranqüilidade e ao meu jeito extrovertido de ser ".

Daniella: "Houve uma seleção entre os associados de Brasilia e depois uma seleção em São Paulo, onde pude conhecer um pouco os outros candidatos. Fiquei muito nervosa na hora da entrevista, pois na hora eu tinha me esquecido de um monte de coisas e umas eu não sabia, mas estava disposta a aprender".

UP: Esta é a primeira vez que vocês foram à Argentina? O que acharam?

Marina Miyasato: "Sim, esta foi minha primeira vez na Argentina. Eu achei a cidade de Buenos Aires maravilhosa e em alguns aspectos, é muito parecida com São Paulo, as ruas, o trânsito e a agitação da cidade. As pessoas foram muito bem receptivas conosco".

Gustavo: "Sim. Foi a primeira vez que fui a Argentina e foi uma experiência incrível. Espero poder voltar em breve!"

Daniella: "Esta foi a minha primeira vez que fui a Argentina, sempre tive a vontade de conhecer a cidade, pois amo a língua castelhana/espanhola. É um lugar lindo, lembra muito São Paulo, os pontos turísticos são maravilhosos, as historias nem se fala. As pessoas são bem receptivas".

UP: Vocês já participavam das atividades de seus respectivos kaikans? Fale um pouco a respeito.

Marina: "Eu pratico odori no kaikan de Santo André desde os 8 anos de idade, com a sensei Yoko Gushiken, e quando há eventos e festas, participo sempre que possível".

Gustavo: "Não muito. Antes desses intercâmbios confesso que não era muito ligado a nossa cultura de Okinawa. Após o retorno ao Brasil, voltei com novos valores e com ideais totalmente diferentes, fazendo com que agora, eu me interesse muito mais sobre as atividades e a nossa cultura uchinanchu".

UP: Como foi a programação deste evento e quais atividades que vocês mais gostaram?

Marina Miyasato: "A programação contava com um city tour, conhecemos vários pontos turísticos de Buenos Aires, nos hospedamos em casas de famílias (home stay) e no kaikan da Argentina, foram realizadas as atividades. Eu gostei muito do Uruma-en, que era um campo para os associados do kaikan da Argentina, lá nós passamos o dia inteiro praticando esportes, e no almoço aconteceu um churrasco com todas as famílias associadas. à noite fizemos uma fogueira, todos os participantes se reuniram e conversamos sobre como estava sendo o Niseta, cantamos várias músicas, foi um momento inesquecível ao lado de todos. Compartilhamos lindos momentos e muitas experiências juntos".

Gustavo: "Durante estes 10 dias pudemos participar de diversas atividades, onde pudemos aprender um pouco sobre a culinária de Okinawa e da Argentina, praticas de taiko e de karatê, além do tango argentino e do odori okinawano. Visitamos também alguns de seus pontos turísticos e pudemos conhecer também um clube onde os descendentes de uchinanchus podem aproveitar o dia com amigos ou familiares. Para mim não houve uma atividade específica que gostei mais, pois pude aproveitar e me divertir em todos os dias em que estive ali. Durante este intercâmbio criamos um laço de amizade muito grande com as pessoas da Argentina, que foram bem receptivas e muito amigáveis, o que fortaleceu e fez com que o sentimento que criamos pelo intercâmbio fosse ainda mais forte. Só tenho a agradecer por esta imensa oportunidade e espero que muitos outros jovens possam sentir o que nós bolsistas do Niseta Tour 2010 sentimos aqui hoje presentes".

 

Veja matéria completa no Jornal Utiná Press de Março


Entrevista com a presidente do URIZUN - Carina Inafuko

O URIZUN - Círculo de Ex-bolsistas e Jovens da Associação Okinawa Kenjin do Brasil é um grupo formado não somente por ex-bolsistas, como também por pessoas que se interessam pela riquíssima cultura okinawana. Além de auxiliar nas atividades do kenjinkai, o URIZUN também tem como objetivo divulgar a Cultura de Okinawa e as Bolsas de Estudos e Estágios oferecidas pela mesma.

Trabalhando voluntariamente no grupo desde que voltou de Okinawa (2004) e há cinco anos ocupando o cargo de presidente do URIZUN, Carina Inafuko, explica os principais tipos de bolsa de estudo e também relata sua experiência como bolsista e líder do grupo.

Filha do casal Simoo Inafuku e Michiko Inafuko (in memorian), Carina Sue Inafuko, 30 anos, é sansei e possui ascendência na cidade de Nanjo-shi (antiga Sashiki-cho), tanto por parte de pai, quanto de mãe.

Formada em Fisioterapia, atualmente cursando sua segunda faculdade (Administração de Empresas), Carina trabalha na Coordenação em equipe de Fisioterapia e também arruma tempo para se dedicar às atividades do URIZUN.

Utiná Press: Quando você foi bolsista de Okinawa? Como ficou sabendo da bolsa?

Carina Inafuko: “Fui bolsista pelo governo de Okinawa (Kenpi Ryugaku) na Universidade de Ryukyu em 2003/2004. Fiquei sabendo sobre estes programas de Bolsas de estudos, através de uma amiga de faculdade que estava prestando para uma outra província em 2002. Ela me disse que certamente haveria bolsas para a província de meus avós... Sempre tive muita curiosidade sobre a origem dos meus avós. Todos os meus avós faleceram muito cedo, e infelizmente não pude conhecê-los e ter esta maravilhosa e rica experiência familiar.

Além dos interesses pessoais daquela época, o que também me levou a concorrer a bolsa foi que meu campo de pesquisa era sobre a Terceira Idade, e Okinawa era um dos lugares de maior longevidade do mundo. Perfeito! Foi a junção do ‘útil ao agradável’! Então, enquanto todos os meus amigos formandos estavam estudando para as provas de especialização, eu estava estudando Nihongo!”

UP: Antes de ir a Okinawa, você tinha interesse pela cultura e tradições okinawanas? E depois que voltou o que sentiu?

Carina: “Sim! Antes eu tinha uma curiosidade sobre de onde minha família veio, costumes, butsudans, etc... Mas as ilhas de Okinawa são mágicas! Agora a minha curiosidade não é apenas pelas minhas origens, mas sim por Okinawa e sua sabedoria”.

UP: Você pratica ou praticou alguma atividade relacionada à cultura de Okinawa (minyô, odori, taiko, bingata, etc)? Fale um pouco a respeito.

Carina: “Meu pai sempre gostou muito das artes de Okinawa, mas nunca nos obrigou a nada, pois ele sabia que a arte cativa naturalmente. Então somente durante a adolescência fui procurar aprender Sanshin com o Sensei Oyakawa. Anos depois, no início da faculdade fui aprender Buyô com a Sensei Yoko Gushiken, mas foi por pouco tempo devido aos estudos. Já em Okinawa tive a oportunidade de aprender Oodaiko de Okinawa, num grupo chamado Mukaitodaiko de Kitanakagusuku. Atualmente tento aprender Sanba (espécie de castanhola) e Ku-cho- (Kokyû)”.

UP: Quais dicas que você daria a quem tem interesse em se candidatar a bolsa de estudos?

Carina: “O candidato deve estar atento aos requisitos de cada modalidade da bolsa escolhida, procure informações com os que já participaram. É muito importante que o futuro candidato saiba o que ele irá fazer durante a bolsa e o que pretende fazer ao retornar. Lá em Okinawa, saber um Nihongo básico é muito importante, se você não souber, estude! Mas não tenha vergonha em perguntar suas dúvidas em nihongo misturado com uchinaguchi, portunhol, etc... Uchinanchu é gente boa, ele vai fazer o possível para te entender!!!”

UP: Quais atividades o grupo desenvolve? Somente ex- bolsistas podem participar do grupo?

Carina: “Sempre que necessário o URIZUN auxilia nas atividades do Kenjinkai. Realizamos também as exposições, workshops e palestras culturais nos grandes eventos da comunidade japonesa de São Paulo. Todos com o objetivo de divulgar a rica Cultura de Okinawa e suas Bolsas de Estudos.

Em especial as Bolsas de Estudos, entre Maio e Junho de cada ano, realizamos um Encontro (Konshinkai) dos futuros Bolsistas e Ex-Bolsistas (Já estamos no IV Konshinkai).  O objetivo deste encontro é a preparação do futuro Bolsista e a resolução de qualquer dúvida, além da integração e trocas de experiências. O Konshinkai é muito importante também pois o futuro bolsista terá a possibilidade de conhecer antes as pessoas que possivelmente estarão com ele em Okinawa. Assim como o Konshinkai, o URIZUN também é aberto a todos os Jovens que possuem interesses sobre a cultura de Okinawa”.

UP: Como é a relação entre os bolsistas que retornam de Okinawa ao Brasil? Há algum tipo de encontro, reunião, além do Konshinkai?

Carina: “Sempre que há algum evento, acionamos nossos contatos e nos reunimos. Fazemos também Bounenkai ou Shinnenkai”.

UP: Quais os tipos de bolsas de estudos oferecidas pela província de Okinawa e outros órgãos (JICA, Monbushô, etc)? Fale um pouco a respeito.

Carina: “Relacionados diretamente com a província de Okinawa, temos as bolsas Kenpi - Modalidade de bolsa subsidiada pelo governo japonês através do Ministério das Relações Exteriores (Gaimusho) e do Ministério da Educação e Cultura (Monbukagakusho). A complementação do custo da bolsa é feita pelo governo da província de Okinawa, que recebe e se responsabiliza pelos bolsistas. O principal objetivo é a formação de cidadãos brasileiros que tenham condições de implantar novas raízes no desenvolvimento econômico, tecnológico e cultural do país e, consequentemente o fortalecimento dos laços de amizade entre o Brasil e Okinawa. As bolsas Kenpi são divididas em dois tipos:  Kenpi Ryugaku (relacionado a estudos em uma universidade), Kenpi Keshu (relacionado a um programa de estágio);

Intercâmbios Culturais e de Estágios - Subsidiados por cada cidade e/ou distrito de Okinawa (Shi Cho e Son).

Existe também o Junior Study Tour - um intercâmbio cultural de 2 semanas para jovens abaixo de 18 anos.

Existem também outros tipos de bolsas que não estão diretamente relacionadas à província de Okinawa, mas podem estar associadas a alguma Universidade e/ou empresa da província. Muitas destas bolsas estão abertas também a não descendentes de okinawanos. Darei exemplos de algumas, mas para maiores informações acesse: www.asebex.com.br ; www.sp.br.emb-japan.go.jp ; www.jica.org.br

-Bolsas do Ministério Japonês da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia (Monbukagakusho) é certamente uma das que tem maior abrangência de público. Todas as suas cinco opções de bolsas (Pesquisa; Graduação; Escola Técnica Superior; Treinamento de professores do Ensino Fundamental e/ou Médio e Treinamento de Língua e/ou Cultura Japonesa) são abertas tanto a descendentes quanto a não-descendentes, desde que não se tenha dupla nacionalidade japonesa.

-Bolsas da JICA (Japan International Cooperation Agency). Foi criada com o objetivo de beneficiar o desenvolvimento científico na América Latina, visando contribuir para o crescimento dos países por meio da transferência de tecnologia”.

Veja matéria completa no Jornal Utiná Press


Karina Matsumoto conta sua experiência como bolsista

Okinawa é uma das poucas províncias japonesas a oferecer vários tipos de bolsas de estudos aos descendentes de diversos países do mundo. Além da bolsa patrocinada pelo Governo da província (kenpiryuugaku), existem outras modalidades como, por exemplo, a de kenshuu (estágio técnico), oferecidos por diversos municípios okinawanos, que variam de um a seis meses, em geral.

Além da oportunidade de conhecer a terra natal de seus ancestrais, a bolsa também proporciona uma grande experiência de vida em vários sentidos.

Nesta edição, a bolsista do município de Kadena-cho, Karina Satomi Matsumoto relata em entrevista ao Jornal Utiná Press como foi sua estadia em Okinawa.

Estudante do 3º ano de Ciências Sociais da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP), esta sansei de 20 anos trancou a faculdade para estudar em Okinawa no ano de 2008.

Filha de Pedro Massaru Matsumoto e Sandra Yukie Okuhama Matsumoto, Karina possui um irmão mais novo, Paulo Eiji Matsumoto e conta que possui ascendência de quatro cidades okinawanas. “Tenho avós nascidos em Kadena, Okinawa-shi, Nishihara e Yomitan.”.

Ela foi bolsista (kenshuusei) da cidade de Kadena, entre setembro e dezembro de 2008, e ficou sabendo da bolsa de estudos através de seu avô. “Fiquei sabendo da bolsa através do meu oji, Masao Matsumoto, que juntamente com o sr. Chuken Matsudo, é responsável pelas bolsas de Kadena. O processo de seleção varia conforme o shi-chô-son (prefeituras). No caso de Kadena, de onde saíram poucos imigrantes, não havia candidatos em 2008. Eu e meu oji achamos que seria um desperdício se ninguém preenchesse a vaga oferecida pela prefeitura de Kadena. Eu pretendia ir como bolsista no futuro, mas devido às circunstâncias, resolvi trancar a faculdade e ir pra Okinawa. Infelizmente, em 2008 ainda sobrou uma vaga para um bolsista da Argentina e em 2009 sobraram as duas, do Brasil e da Argentina.”

 

Veja matéria completa no Jornal Utiná Press de Janeiro/2010

 

Por: V.S.T.

 


 

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